2018 -ano de mudança

João Luís Bucho | Post #3
Doutor em Psicologia. Mestre em Criatividade e Inovação

 

Na viragem do ano, lembrei-me de colocar em suspenso as concepções teóricas e as recomendações práticas e elaborar um breve texto que visa reflectir sobre a importância do pensamento criativo e imaginativo na relação entre pais e filhos.

– Nascemos num mundo velho, onde tudo se encontra já previamente construído, há nossa disposição e que nos impulsiona a ter, ter e ter. Crescemos num mundo cheio de rotinas e constantes repetições que não satisfazem as nossas necessidades, daí ser esta a altura certa para mudar a bateria e como se costuma dizer, carregar as pilhas de esperança, optimismo e confiança, para podermos superar as crises porque passamos, tanto ao nível interno, como ao nível externo: crise económica, financeira, educativa e social.

Ano novo, nova vida, novos hábitos, é tempo de nos despedirmos do ano velho, abandonar a rotina e ousar arriscar, ser curioso, estar aberto a novas experiências.

O ano de 2018 deverá ficar marcado por ser um momento de ruptura e de mudança, de transição, de superação, do convencional e da uniformização do passado e ser o ano para se estabelecerem novas conquistas, novas combinações, mais originais, criativas, imaginativas, explorando-se novos caminhos, mais coloridos, mais movimentados, com maior harmonia.

Ao falarmos na mudança, nada melhor do que reflectir sobre as palavras do músico brasileiro Chico Buarque de Holanda e do activista indiano, defensor da liberdade e da não-violência, Mahatma Gandi (1869-1948):

As pessoas têm medo da mudança.
Eu tenho medo que as coisas nunca mudem”

[Chico Buarque de Holanda]

 

Se queremos progredir não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova”

[Mahatma Gandi]

 

Se tivermos em conta que a vida acontece fora da nossa zona de conforto, facilmente compreenderemos a necessidade de se estimular o espaço potencial para promover o desenvolvimento.

O acto criativo surge como uma faísca, e caracteriza-se por ser um acto apaixonante, um acto de coragem e de rebeldia, de ir contra o estabelecido e conseguir estabelecer novas relações e conexões, ver o mundo de outra forma.

Neste sentido, temos de mudar de registo, temos de adoptar uma nova dinâmica, regeneradora, que modifique a nossa forma de pensar, de estar e de ver o mundo. A forma de ver o mundo dentro e fora de nós próprios.

Só conseguiremos modificar a realidade exterior, se conseguirmos tocar e modificar a nossa própria realidade interna. É necessário desconstruirmo-nos para nos reconstruirmos e construirmos de novo, renovando-nos de forma mais integrada, criativa e feliz.

Temos de aceder ao nosso interior e mudar o individual, para conseguirmos chegar ao colectivo e conseguirmos ter algum impacto transformador no social.

2018 - ano novo - mudançaAtravés da criatividade, desta competência Humana e Universal, é possível pensarmos de forma diferente, original, inovadora, imaginativa e fantástica, é possível sermos capazes de nos tornarmos actores, da nossa vida, do nosso próprio destino. Ao pensarmos de forma diferente, mais fértil e nova, deixamos de ser meros consumidores, reprodutores e expectadores passivos, para sermos seres activos, dinâmicos, criadores e responsáveis.

Maior criatividade conduz a maior flexibilidade e maior capacidade de perceber e solucionar os diversos problemas.

Sim, é importante pensarmos que todos podemos aceder a este fluxo criativo, é necessário afastar velhas ideias e dogmas que continuam a persistir ao longo dos anos, de que a criatividade é uma característica de seres divinos, mágicos, especiais, sobredotados e com habilidades especiais do campo das artes e das ciências.

O espírito criativo, criador e da criatividade está em todos nós, é preciso antes de mais estimulá-lo, energizá-lo e desenvolvê-lo, para que todos se possam movimentar livremente, acedendo a novos rumos, novas direcções, impulsionando-os para novas etapas, dentro e fora de nós.

Só desta forma, conseguiremos tornar real os nossos sonhos, desejos, ambições e aspirações, que há tanto tempo guardamos escondidos, dentro das inúmeras caixas de Pandora, que carregamos ao longo da nossa vida, que nos incomodam e nos transformam noutras pessoas e que muitas das vezes projectamos nos nossos filhos, a toda a hora.

Através desta dinâmica transformadora, acedemos a novas perspectivas de nós e dos outros, ampliamos a forma de estar, de ver e de nos relacionarmos com o mundo, transformando-nos e transformando os outros.

Trata-se de uma metamorfose: pessoal, profissional e social.

A criatividade trata-se assim de um enorme desafio para este novo ano, sendo um valor acrescentado, para contribuir na construção de novos conhecimentos e ramos do saber, promovendo o crescimento e o desenvolvimento, pessoal, institucional e social.

Neste ano de 2018, devemos acreditar que todos somos e podemos ser potenciais artistas!

 

Terminando: 


Antes de terminar, gostaria de realçar que estas palavras vão no sentido de estimular uma vida cheia de alegria, felicidade, optimismo, humor e de muito Amor, mas também de muito esforço e trabalho, de ousar quebrar regras e limites, de exploração criativa e inovadora.

A relação pais-filhos deverá ser uma relação próxima, de grande envolvimento, disponibilidade e aceitação, pautada por uma postura o mais criativa e imaginativa possível, promovendo o maior números de experiências vivenciais, lúdicas, multissensoriais, multissimbólicas e multicoloridas.

Educar, envolve edificar um mundo de projectos, entrar numa fábrica de sonhos, fantasias, angústias, ilusões e desilusões, fazer uma viagem por vários pavilhões da descoberta e dos descobrimentos, feitos por todos os elementos do casal, da família e até da creche, da escola, e da própria comunidade.

Trata-se de um processo de constante devir. De um processo de ajudar a criança a vir-a-ser!

Exemplo da complexidade de criar e educar os filhos é a existência deste blogue “Pais à la Carte”, que no meu entendimento deverá sempre estimular a Arte de amar e de ter paixão pelos filhos.

Todas as crianças precisam que as suas iniciativas sejam acolhidas com confiança e amor, necessitam que a sua espontaneidade e liberdade não seja inibida nem coartada de forma a poderem exprimir toda a sua autenticidade e genuinidade, para assim poderem desenvolver a capacidade de confiança e respeito por si próprio, assegurando desta forma a sua verdadeira identidade e autonomia.

Ao se falar na importância do amor e de deixarmos entrar o amor nas nossas vidas, lembro-me sempre das sábias palavras do escritor e piloto francês, Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944):

 

“O verdadeiro amor nunca se desgasta.
Quanto mais se dá mais se tem”

[Saint-Exupéry]

 

 

Referências


 – 700 Grs de disponibilidade interna, persistência e criatividade

– 100 grs de alegria e optimismo

– 100 Grs de boa disposição

– 60 Grs açúcar ou adoçante

– 20 Grs pitada de sal

– 20 Grs pitada de pimenta

– 1 rodela de limão e 1 pau de canela

 

Fotos de: Dakota Corbin; Chris Barbalis