Pediatria - Convulsões febris

António Silva Filipe | Post #1
Médico Pediatra

 

Neste período de regresso às creches e infantários, as crianças ficam, de novo, mais expostas a doenças, principalmente as provocadas por vírus; logo, os episódios de febre são frequentes e os pais inquietam-se com a probabilidade de surgir uma convulsão. Mas, afinal do que trata? Eis, sucintamente, algumas considerações a ter em conta:

 

  • O que são?

São contrações musculares involuntárias, com perda transitória de conhecimento que se verificam na ausência de doença neurológica.

  • Em que idade aparecem?

São mais frequentes entre os seis meses e os cinco anos de idade.

  • Como se manifestam?

A criança apresenta um olhar fixo ou pode revirar os olhos, babar-se,  apresentar uma cor arroxeada à volta da boca ou ainda perder involuntariamente urina ou fezes.

  • Surgem em que fase da subida da febre?

Ocorrem logo nas primeiras 24h de febre, ainda os pais não se aperceberam que a criança tem febre e habitualmente duram entre alguns segundos a poucos minutos. Se a criança já registar uma febre alta é pouco provável a ocorrência de uma convulsão.

  • Será que se repete sempre que a criança volte a ter febre?

Pode voltar a ter uma convulsão num outro episódio febril, mas não é muito frequente.

  • O que deve fazer, se uma criança tiver uma convulsão febril?

1. Manter a calma – normalmente não acontecerá nada de grave

2. Não colocar nada na boca da criança

3. Não tentar parar os movimentos da criança durante a convulsão

4. Não administrar nada enquanto a criança estiver inconsciente

5. Colocar o termómetro para avaliar a temperatura

6. Se a criança já teve outras crises anteriormente, provavelmente já lhe receitaram STESOLID retal, para uma provável repetição – só deve administrar se a convulsão não tiver parado

7. Telefonar para o 112 – a observação médica é imprescindível.

 

Foto superior de: Stine Moe Engelsrud