livro infantil - a minha mãe tem o sol na barriga

Autoria: Ana Stilwell
Ilustrações: Madalena Moniz
Editora: Livros Horizonte
Edição: 03/2016
Dimensões: 234 x 234 x 5 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 32

Sinopse:
Quando a barriga de Ana Stilwell se encheu de um sol chamado Marta, as suas filhas gémeas de 5 anos arranjaram uma nuvem cada uma para se protegerem do calor insuportável. Durante os meses que andaram com a nuvem para todo o lado, inspiraram esta história e provaram à mãe (mais uma vez!) que tudo o que ela aprendeu no curso de educação de infância resulta sempre muito bem… nos filhos dos outros. 

 

A minha mãe tem o sol na barriga


… um sol que vai crescendo. Um sol que vai ficando mais quente a cada dia que passa. E o colo – ah o colo! aquele porto de abrigo – deixa de ser um lugar seguro e confortável.

Até que um dia,  o sol nasce. O calor passa então a ser insuportável, mesmo com todos os cuidados que a sensibilidade de uma mãe obriga! E é com essa sensibilidade que Ana Stilwell escreve este livro, dedicado às suas duas filhas gémeas Madalena e Carminho, mas dirigido a todas as crianças. Com ele relativiza, metaforicamente, todos os sentimentos contraditórios que a chegada de um novo irmão desperta. Não faz mal sentir inseguranças, ciúmes… Todos esses sentimentos são naturais e fazem parte do desenvolvimento. Tão naturais e genuínos, como a alegria, a ternura e o sentimento de partilha que se vai desenvolvendo desde que a chegada é anunciada!

E se as palavras se articulam numa simplicidade sincera, as ilustrações  surpreendem a cada página, com traços simples e geométricos que dão vida e cor às emoções.

 

 


Apesar de ter apenas um filho, não deixo de me sentir tocada por este tema.

Talvez por ser filha mais velha e lembrar-me com nitidez do que sentia quando os meus pedidos de brincadeira eram negados ou adiados, sempre que havia um sol que requeria cuidados. Mesmo representando esse sol a concretização de um sonho de criança!  No fundo, é tão somente o amor genuíno pelo novo ser aliado à imaturidade de não se conseguir interiorizar que a mãe, enquanto mãe, deixa de ser só nossa.

Talvez também por ter acompanhado proximamente, nos últimos dois anos, gravidezes de mães de segunda-viagem e me ter apercebido da preocupação real com o filho mais velho. Uma preocupação que se prolonga bem para lá do nascimento. A própria Ana Stilwell assume, em entrevista, que ficou “ainda mais agarrada a elas [filhas mais velhas], numa espécie de reação de lealdade: ‘não vou deixar que venha um novo ser destruir a nossa relação'”.

Se o colo físico já não chega para dois, que se cimente a certeza que no colo do coração dos pais cabem por igual os vários filhos”

[Otília Fernandes em Que sol é este?]