O dia em que os lápis desistiram

Sinopse: Os lápis de cor também se zangam. O lápis preto está cansado de ser usado apenas para desenhar contornos, o azul já não aguenta pintar mais oceanos, e o amarelo e o laranja já nem sequer falam um com o outro, pois cada um reclama ser a verdadeira cor do sol. E agora? O que vai fazer o Duarte?

Autoria: Drew Daywalt
Ilustrações: Oliver Jeffers
Tradução: Rui Lopes
Editora: Orfeu Negro
Edição: 05/2014
Idade aconselhada: Livro recomendado para apoio a projetos relacionados com as artes na Educação Pré-Escolar, 1º e 2º anos de escolaridade.

 

 


O dia em que os lápis desistiram é o livro infantil preferido de Inês Batalha. E porquê? Qual a mensagem que está por trás desta obra que faz com Inês, mãe do Vicente e do Francisco, o guarde com um carinho tão especial e o considere uma “ode à criatividade”?

Há dias, o meu filho perguntou-me se existiam cavalos azuis. Eu respondi-lhe que sabia de um museu onde havia um desenho de um cavalo azul e que um dia o levava lá para vermos o tal cavalo azul…

 

O que torna este livro tão especial?
Para mim este livro é uma ode à criatividade. Faz-nos questionar porque é que usamos as cores da forma que normalmente as usamos e dá um excelente tema de conversa com os miúdos. Nesse sentido, tem uma dimensão quase filosófica quando, por exemplo, o lápis amarelo e o lápis cor de laranja estão a discutir sobre qual é a verdadeira cor do sol ou a questão do preto e do branco que podem ser considerados como ausência de cor…

Há dias, o meu filho perguntou-me se existiam cavalos azuis. Eu respondi-lhe que sabia de um museu onde havia um desenho de um cavalo azul e que um dia o levava lá para vermos o tal cavalo azul…

O que te faz sentir?
Este livro faz-me sorrir, porque me recorda sempre um episódio que se passou comigo na escola, quando eu era miúda. Estávamos na época do Natal e toca de pôr toda a turma a pintar um Pai Natal. E de que cor é sempre o Pai Natal? Encarnado! Os nossos desenhos eram todos iguais; uma seca medonha.

Recordo-me perfeitamente de estar aborrecida de morte naquela aula e por puro tédio decidi que eu ia pintar um Pai Natal preto. A minha companheira de carteira ficou aterrada com a ideia. Que não podia ser, que me iam castigar, chamar um polícia, abrir-se um buraco no chão… e eu irredutível, vou pintar um Pai Natal preto! Depois logo se vê o que acontece.

Depois não aconteceu nada, no final o professor riu-se daquele meu pequeno ato de rebelião. Creio que é importante fomentar este tipo de rebeldia criativa nas crianças. Pensar fora dos padrões pré-estabelecidos. É importante manter algum idealismo.

Como reage o teu filho Vicente, de quatro anos, à história?
O meu filho gosta de observar os desenhos que o menino da história pintou. É um livro muito visual também, para além da história ser deliciosa. Ao cabo de algumas leituras, ele desenvolveu certa simpatia por alguns dos lápis. Fica sempre muito triste quando vê o lápis azul, “ohhh, pobre lápis, pintou muito e ficou pequenino” e acha imensa graça ao lápis cor de pêssego que ficou “homem nu”.

Uma boa memória na companhia do livro:
Uma das melhores memórias que tenho deste livro não foi exatamente na companhia do livro, mas sim uma associação de ideias que o meu filho fez posteriormente. Um dia, estávamos a pintar e ele olhou para o nosso lápis rosa (que se foi partindo gradualmente em pedaços) e exclamou: “olha mamã, ficou pequenino como o lápis azul do livro!”.

Lá em casa o rosa não é só cor de menina.

A melhor passagem do livro:

“E que tal pintares uma bola de praia PRETA?”

 

 



Obrigada Inês, boas leituras em família!